Histórico

O Centro de Estudos de Geografia do Trabalho (CEGeT) completa, em 2016, 20 anos de existência, e desde o início foi uma prioridade para o grupo a realização de um evento que permitisse estabelecer um diálogo amplo e frutífero na perspectiva de consolidar uma reflexão aprofundada da categoria trabalho dentro da Geografia. Em 1999 se realizou a I Jornada do Trabalho de Presidente Prudente, na Universidade Estadual Paulista, campus de Presidente Prudente, onde o CEGeT foi criado e está cadastrado.

Nos primeiros eventos, a Jornada do Trabalho tinha como objetivo um diálogo entre o CEGeT em construção e especialistas na temática do Trabalho, especialmente pesquisadores da Sociologia e Geografia. O Grupo, que nesse momento era formado pelo prof. Thomaz e, aproximadamente, dez alunos de graduação e pós-graduação (mestrado), foi aumentando à medida que novos integrantes chegavam e acessavam também ao doutorado. Nesse sentido, a estrutura do evento caracterizava-se por mesas redondas e momentos em que os integrantes do CEGeT apresentavam suas pesquisas para os pesquisadores convidados, articulando um diálogo muito rico e necessário nesses primeiros contatos.

Depois de dois eventos nesse formato, logo foi evidente a necessidade de abrir a Jornada para que outras pessoas pudessem apresentar trabalhos, partindo para um formato mais amplo, não apenas de um grupo de pesquisa, mas sim onde convergissem pesquisadores de vários grupos. Ao mesmo tempo, o próprio CEGeT ganhou um corpo diferente à medida em que os integrantes se inseriam nos quadros docentes de diversas universidade espalhadas pelo país.

Com essa nova configuração, em 2006 se celebrou na Universidade Estadual do Oeste do Paraná, em Marechal Cândido Rondon-PR, a VII Jornada do Trabalho: “Atualidade do trabalho e da classe trabalhadora no Brasil! Mais do que resistir, agir! ‘A esperança é a última que morre’”, promovida pelo grupo de pesquisa Geografia das Lutas do Campo e da Cidade-Geolutas, primeiro grupo de pesquisa inserido na rede CEGeT. Neste momento se iniciou um formato de evento itinerante que permitiu continuar somando pesquisadores com preocupações similares de lugares diferentes, ao mesmo tempo em que conseguíamos ver e viver os problemas e as nuances específicas nos locais em que a Jornada acontecia (ajudados pela realização “obrigatória” de trabalhos de campo).

Nas edições que se sucederam à VII Jornada, esse formato nômade e com parcerias ampliadas foi ganhando consistência e passou a ser referência para o evento. Em 2007 o evento volta para Presidente Prudente com o título “Modernidade e os signos da Barbárie para a Classe trabalhadora” e, em 2008, vai para Goiás, “Dinâmica territorial do trabalho no século XXI: em busca dos sujeitos que podem emancipar a sociedade para além do capital“, encampado pelo núcleo de pesquisa Geografia, Trabalho e Movimentos Sociais-GETeM da Universidade Federal de Goiás, campus de Catalão-GO. Em 2009, comemoramos os 10 anos de Jornada, tem sua realização em Presidente Prudente, com o evento “A importância da teoria para a transformação social e a imprescindibilidade da Pesquisa para a Materialização da Práxis emancipatória da classe trabalhadora no século XXI”, para em 2010 nos encontrarmos na Paraíba, em João Pessoa, sob o tema “Trabalho e as escalas das práxis emancipatórias: autonomia de classe frente à territorialização do capital”.

No ano de 2011 o evento foi realizado em Curitiba, tendo como tema “A dimensão espacial da expropriação capitalista sobre os mundos do trabalho: cartografando os conflitos, as resistências e as alternativas à sociedade do capital”, sendo que em 2012 a Jornada ocorreu em Presidente Prudente com o tema Jornada Do Trabalho “A Irreformabilidade do Capital e os Conflitos Territoriais no Limiar do Século XXI: Os Novos Desafios da Geografia do Trabalho”. No ano de 2013 a Jornada foi realizada em Ourinhos, com o tema “O trabalho e a crise estrutural do capital: resistência, limite e alternativas” e, o evento de 2014 se realizou em Guarapuava com o tema “Conflitos territoriais, (re)invenções do controle social e das resistências do trabalho para além do capital”. No ano de 2015 se realizou a XVI edição da Jornada do Trabalho, em Jardim/MS, intitulada “Crise Social e Crise do/no Trabalho: Vínculos e Contradições entre Estrutura e Conjuntura no Brasil”.

Por fim, em 2016 ocorreu a XVII edição da Jornada em Porto Nacional-TO, sob a coordenação dos Cursos de Graduação e Pós Graduação em Geografia da Universidade Federal do Tocantins (UFT), com o tema “Novas fronteiras para o trabalho e o trabalho em novas fronteiras de expansão do capital”. Já em 2017, a XVIII retornou a Goiás, sob a Coordenação do Laboratório de Estudos e Pesquisas das Dinâmicas Territoriais/Políticas Públicas do Instituto Socioambiental da Universidade Federal de Goiás, com o tema “A dialética entre o pessimismo da razão e o otimismo da ação para a classe trabalhadora em tempos de golpe”.

Essa sequência vai supondo, ao mesmo tempo, uma consolidação da discussão acerca do trabalho na Geografia, com numerosa participação dos integrantes da rede CEGeT em diversos eventos dentro e fora da Geografia e com pesquisadores de outros grupos e outras áreas do conhecimento participando do evento. Nesse sentido, destacamos a consolidação de um grupo de discussão centrado na temática “Trabalho” nos Encontros da Associação Nacional de Pós-graduação em Geografia (ANPEGE), realizada no Rio de Janeiro, em 2007, que se propagou nos demais eventos, todos eles promovidos pela rede de pesquisadores articulados com o CEGeT e apoiados por pesquisadores de outros grupos de pesquisa.

Além dos inúmeros trabalhos apresentados nas dezoito Jornadas do Trabalho já acontecidas e que estão sistematizados em seus anais correspondentes, o evento também serviu para fornecer, em alguns momentos, artigos e resenhas para a revista do grupo CEGeT, denominada “Pegada”, assim como para ampliar a interlocução do grupo e dos participantes com um grupo diverso de pesquisadores, movimentos sociais e organizações em geral, dos quais podemos destacar: Giovani Alves, Ariovaldo Santos, Ricardo Antunes, Ruy Moreira, Hans Dieter Heidemann, Bernardo Mançano Fernandes, Emilia de Rodat Moreira, Alexandrina Luz, Marildo Menegat, João Edmilson Fabrini, Léa Francesconi, Ivan Targino, Ivo Tonet, Jesus Ranieri, Beto Moraes, entre outros.

Nesta XIX edição da Jornada do Trabalho, pretende-se não só fortalecer discussões e pesquisas já consolidadas no âmbito do grupo, a exemplo de temas que envolvem Agro-hidro-territórios, a degradação da natureza e do trabalho, ou ainda, a multidimensionalidade e desenvolvimento do/no território e seus desdobramentos na constituição de conflitos territoriais, espoliação e fragmentação do trabalho. Mas, também, fomentar análises e reflexões interdisciplinares que ampliam nossa compreensão a respeito da dimensão espacial dos impactos da crise sistêmica que atinge o Brasil e demais países do globo, em particular, da reforma trabalhista nas dinâmicas socioespaciais do/no mundo do trabalho. Assim, também, em diálogo com a comunidade regional, pretende-se manifestar e sistematizar contribuições da ciência na construção de alternativas em defesa da vida (auto-organização, saúde coletiva, atuação sindical e dos movimentos sociais, cooperativismo e economia solidária, entre outras).